"Tiago aproxima-se da menina sentada na pracinha do
shopping. Parece que vai pregar-lhe um susto, mas imposta a voz e diz com pose
de galã:
- A senhorita com ar tão solitário, espera alguém?
Depois do ligeiro susto, ela empina o nariz e diz toda
afetada:
- Sim, o meu namorado, um príncipe!"
Tiago abre um sorriso travesso e observa a menina de cima a
baixo. Ela vestia um vestidinho vermelho, com um sinto dourado e nos pés, uma
sapatilha também vermelha. A menina o olhava curiosa. Tiago, parando o olhar
na boca da menina, perguntou:
- Posso acompanhar-lhe em sua espera?
A menina hesita, mas assente, permitindo que se sentasse
junto à ela.
- Por que escolheste logo esse banquinho, velho e frágil,
para sentar-se, tendo muitos outros ao longo da praça? – A menina perguntou,
olhando pela primeira vez nos lindos olhos azuis de Tiago.
- Ora, eu procurava uma companhia de lindos cachos loiros,
assim como os seus, e olhos castanhos. – Tiago respondeu. – E devo dizer que
não poderia ter encontrado companhia mais bela! – Um sorriso se formou no canto
direito de seus lábios, ao ver que a menina corou levemente.
- Agradeço o elogio, cavalheiro, mas eu tenho namorado. – A
menina disse sem jeito.
- Tenho meus motivos para acreditar que a senhorita está
mentindo.
A menina abriu um sorriso e perguntou:
- O senhor é o que? Médium?
- Se isso for o suficiente para conquistar seu coração. –
Tiago respondeu, abrindo novamente o sorriso travesso. – E qual seria o nome
da senhorita Cachinhos Dourados?
- Amanda. – A menina respondeu, ainda com o sorriso nos
lábios. – E o cavalheiro, como se chama?
- Pedro. – Tiago mentiu.
- Por que sinto que o cavalheiro mente para mim? – Amanda
perguntou, certa de que Tiago mentia.
- Acho que não sou o único médium nessa praça. – Tiago
disse sorrindo. – Me chamo Tiago.
- Tiago. – Amando
repetiu. – Nunca o vi por aqui. É novo na cidade?
- Na verdade, sim. – Tiago respondeu. Antes que pudesse
completar a fala, ouviu os gritos dos policiais:
- Ali está ele! Peguem-no! – O disfarce de Tiago havia ido
por água abaixo. Como conseguiram encontra-lo ali? Ele tinha que pensar rápido.
Não podia ser preso novamente.
Tiago sacou a faca que sempre carregava consigo e tomou
Amanda como refém. A loira, sem entender, ficou paralisada de medo.
- Me desculpe por isso, Amanda. – Tiago cochichou em seu
ouvido.
- Parado! – Um dos policiais gritou. Amanda tinha a faca em
seu pescoço. Com o mais curto movimento, ela estaria morta.
- Aproximem-se e eu a mato! – Tiago gritou. Amanda chorava
descontroladamente. Todos ficaram em silêncio. Então, um disparo foi ouvido.
Tiago soltou um grito de dor. Ele havia sido atingido na perna. Caiu de
joelhos, sem nunca soltar Amanda. Um dos policiais começou a se aproximar de
Tiago.
- Sabe, Amanda. Eu gostei de você. – Tiago disse para
Amanda. – Eu até te chamaria para sair, mas eu não posso passar por mentiroso.
Um deles está se aproximando, eu tenho que cumprir minha palavra. – Num
movimento rápido e preciso Tiago cortou a garganta de Amanda.
O corpo da loira caiu no chão e permaneceu imóvel. Quase que
imediatamente, outro disparo se ouviu e Tiago caiu. Ninguém conseguiu ouvir
suas últimas palavras, pois foram sussurros:
- Nos vemos do outro lado, Amanda.
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