segunda-feira, 23 de junho de 2014

As únicas loiras não-vacas



As conheci há uns poucos episódios, há algumas poucas temporadas. Os episódios em que apareceram também foram poucos. E, em poucos episódios, em apenas alguns minutos, eu amei essas personagens. Duas loiras, mãe e filha, que um dia perderam um pai, um marido, para a caça. Duas mulheres, guerreiras, caçadoras. Destemor era o seu sobrenome. Posso dizer muitas coisas ótimas sobre elas, mas a verdade é que nada chegará nem perto do que elas são, nem da homenagem que elas mereciam. Lutaram bravamente até a morte. E sua morte não foi em vão, foi em sacrifício.
Dói saber que ela, a Jo, minha loirinha, sofreu antes de morrer. Mas me enche de orgulho saber, que ela teve coragem para se voluntariar para o sacrifício que era necessário para a permanência da vida dos demais. Pode parecer idiota de se dizer isso num texto de luto, ou até insensível, mas é a minha opinião: eu torcia para que ela ficasse com o Dean. E, nossa, quando ele a beijou pela primeira e última vez eu… Eu não tenho palavras para definir o que eu senti. Eu só consegui chorar e chorar. E até esse momento, minhas lágrimas molham o teclado do meu computador.
A parte mais deprimente, no meu ponto de vista, é o fato de eu já saber que ela iria morrer muito antes de isso acontecer. E eu não estava preparada quando o momento chegou. Quando o Cão do Inferno a atacou eu disse para mim mesma: relaxa. Respira. Não chora ainda. Ela não vai… Não pode morrer agora. Não agora. E eu acreditei naquelas palavras mentirosas que eu mesma proferi.
A Jo, desde o primeiro momento em que a vi, quando ela socou o nariz do Dean, ela passou a ser minha personagem preferida, não só da série, mas num geral. Você pode me xingar, me chamar de louca ou cega, dizer que eu tenho um péssimo gosto para personagens e que existem personagens melhores do que ela. Eu vou te responder com um curto e simples: DANE-SE! Ela ainda é minha personagem preferida. Não sei até quando vai ser (admito: sou muito volúvel em relação a personagens preferidos), mas ela ainda é. Desde sempre, eu vi, acho que todos viram, o quanto ela amava caçar, o quanto ela desejava fazer aquilo. E isso era simplesmente incrível! Eu admirei essa loirinha em cada palavra que ela dizia, em cada ação que ela praticava, em cada decisão que tomava, por mais estúpidas que fossem. Ela sabia o que queria, lutou por isso e no fim, conseguiu, e morreu fazendo aquilo que amava, ao lado de quem amava.
E assim entramos na tia Ellen. Sim, eu a chamo de tia. Minha tia linda e mal-humorada Ellen. Não quero fazer um discurso feminista aqui, mas a Ellen é um exemplo de que a mulher não é nem um pouco sexo frágil. Seu mal-humor constante é sua marca, seu destemor, sem cartão de visita, sua bravura, sua qualidade mais valiosa. Vou confessar uma coisa: quando o Roadhouse foi destruído eu chorei (eu choro o tempo todo. Acostume-se). Eu pensei que ela tivesse morrido. E, embora não tenha sido tão horrível quanto assistir a Jo morrer, eu sofri com a “morte” dela. Desde que seu marido morreu, tia Ellen cuidou de Jo e tentou a proteger desse mundo de caça, o que não adiantou muito.
Não adianta, todos os caminhos nesse texto levarão de volta a Jo, porque, por mais que eu goste ou ame a tia Ellen, eu sofri pela Jo. Lamentei pela Ellen ter perdido mais alguém para essa vida terrível e por ter assistido a morte dela. Mas a Jo… Ah, a Jo tomou a difícil decisão de acabar com a própria vida para salvar a dos outros. E, bem, ela era minha loirinha. Às vezes, acho que não sofri o bastante por ela. Agora mesmo, minhas lágrimas já secaram. Minha cabeça e meus olhos ainda doem, meu rosto está inchado, mas, nada de lágrimas. Creio que elas tenham cessado, que já tenha acabado o líquido do meu corpo, se é que isso é possível. Enfim, eu nunca senti que sofri o suficiente por um personagem, e acho que a Jo e a tia Ellen não serão uma exceção a essa regra.
Agora, para encerrar esse texto de uma vez, quero citar as palavras do título, a frase completa: Jo e Ellen são as únicas loiras não-vacas da série. Nesse momento, já sem lágrimas, concluo esse texto, com o coração em prantos. Não sei quanto tempo esse luto vai durar. Talvez seja momentâneo, talvez seja para sempre. Mas, de qualquer forma, eu senti, mesmo que por um breve momento, que o meu mundo realmente estava acabando, porque elas se foram.



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